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A Cidade Global

A Cidade Global

Não há comunista em Portugal que não se sinta obrigado pela consciência atávica a celebrar a façanha e a tragédia recente de um seu ancestral retornado das colónias. Foi essa cilada do destino que obrigou os comunistas a procurar com diligência um novo paradigma para o discurso anti-colonial, uma nova formulação que mergulhasse profundamente na memória atávica. É a Cidade Global. Uma grande távola redonda de comensais, que reúne os comunistas com a fidalguia sob a égide patriarcal de Sua Alteza Fidelíssima. O Quinto Império, meus senhores.
23
Mar17

As alegações de Joe Berardo contra Diogo Ramada Curto.

MCN


Num artigo publicado no DIÁRIO DE NOTÍCIAS em 17 de Março de 2017, anónimo mas proveniente da agência LUSA, reproduzem-se as declarações de Joe Berardo ao autorizar a realização de análises laboratoriais à pintura de sua propriedade ''O Chafariz d'el Rei''.

Diz Joe Berardo, citado:

"Eu não queria fazer isto [autorizar as análises] porque é dar atenção a historiadores que não são da área, não percebem do assunto. Mas o ministro da Cultura, [Luís Filipe Castro Mendes] pediu-me, e também o diretor do museu [António Filipe Pimentel]. Outros especialistas disseram-me que era a melhor maneira de fechar o assunto"

 

Entretanto, Luís Filipe Pimentel, Director do MNAA, antecipando as declarações de Joe Berardo e um perspicaz e astuto artigo de João António Cruz no jornal PÚBLICO, sugere numa linguagem enredada em subentendidos:

“Analisar uma pintura antiga não é a mesma coisa do que fazer uma análise de sangue. Para além dos dados materiais, há muitas coisas que depois temos de ter em conta. É preciso convocar uma verdadeira junta médica com muitas especialidades: olisipografia, física, química, história de arte... E mesmo assim pode não se chegar a conclusões, e certamente pode não se chegar a conclusões que agradem a todos.”
PÚBLICO, 16 de Março de 2017.

 

Contactada pelo mesmo jornal, PÚBLICO, Renée La Due, director de comunicação da Sociedade dos Antiquários de Londres, declarou também a respeito do pedido feito pelo Ministério da Cultura para realizar exames laboratoriais às duas telas, ou duas meias telas que representam a Rua Nova dos Mercadores que a autorização depende dos ''métodos e análises propostos'' da garantia de segurança das pinturas e de um ''leque de factores logísticos adicionais''.
.

Joe Berardo insiste para mais em que a pintura já foi sujeita a exames em Washinghton e Bruxelas, sem explicitar quais.

 

Esclareçamos a matéria, em referência ao itinerário de exames que António Filipe Pimentel sugere, “análise da camada pictórica,com recolha de amostras, por radiografias, reflectografia de infravermelhos [método destinado a aceder ao que a camada visível da tinta esconde] e estudos de suporte [O Chafariz d’El-Rey foi pintado sobre castanho, um tipo de madeira que representa um desafio para a dendrocronologia, método que procura estabelecer a idade da madeira com base nos padrões dos seus anéis]”.

Esclareçamos primeiro que tudo a redacção, de que pode resultar alguma ambiguidade, pois parece sugerir que a recolha de amostras se fará por radiografias e reflectografias, o que não é assim, a recolha de amostras faz-se directamente por recolha de extractos materiais.

Ultrapassada esta ambiguidade, o itinerário sugerido por António Filipe Pimentel é o procedimento canónico seguido por protocolo em todos os laboratórios, pelo que não descortinamos o que os exames a realizar no Laboratório José de Figueiredo poderiam adiantar aos exames realizados em Washinghton e Bruxelas. Bastaria então, para o efeito, que nos apresentassem os resultados e relatórios dos exames já realizados e nós logo os sujeitaríamos à reflexão e à crítica.
É lamentável termos que reconhecer que o Director do Museu Nacional de Arte Antiga e a sua corte de bajuladores estão a falar para pategos, confiantes em que reduzindo a crítica e a interpelação ao silêncio prosseguirão imunes o seu almejo. É deveras lamentável.


Ontem, 22 de Março de 2017, enviei para publicação na ''mailinglist'' MUSEUM, uma crítica ao artigo de António João Cruz, PÚBLICO, 17 de Março de 2017. Aguarda publicação ou não.
Há sem dúvida uma inesperada campanha mediática dirigida a pategos para descridibilizar a validade dos exames laboratoriais. Pelo sim pelo não.
Esperamos ansiosamente a publicação de relatórios e resultados idóneos e rigorosos dos examres a realizar, talvez para o ano que vem. Ou talvez não.

Entretanto, aguardemos no que vai dar o colóquio e debate científico entre Joe Berardo e Diogo Ramada Curto. Com o concurso de António Filipe Pimentel.

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